Três documentos foram cotejados: (a) a Proposta de Eixo de Narrativa ("Brasília foi feita para funcionar"), (b) o Plano Estratégico do GDF 2019-2060 — Edição Revisada 2023 (o "BOOK", documento oficial da gestão Ibaneis/Celina, comumente confundido com publicação ONU pela ancoragem nos ODS) e (c) o Plano de Governo Kiko v2 já em curso. O cruzamento revela um plano tecnicamente sólido (v2), com flanco simbólico aberto (Proposta-Eixos) e um documento-espelho do adversário (BOOK) que precisa ser usado como matéria-prima — não ignorado.
Brasília foi feita para funcionar — e tem que voltar a funcionar. O plano v2 já entrega como (gestão por resultados, metas auditáveis, R$ 8-12 bi em quatro anos). A camada que falta é por que e para quem: a tese de qualidade de vida, orgulho de pertencer e tempo do cidadão como padrão real de governo — não como nostalgia.
Origem: rascunho de campanha do Kiko (≈5 pgs).
Núcleo: "Brasília foi feita para funcionar" + reposicionamento como cidade de orgulho e pertencimento.
Força: tese identitária, voz emocional, ângulo BRB como sintoma de modelo.
Limite: não tem programa, custo, KPI nem metas.
Origem: SEPLAD/GDF Ibaneis-Celina, 166 pgs.
Núcleo: 8 eixos × 494 iniciativas × Balanced Scorecard × tagging ODS.
Força: volume, granularidade, vocabulário técnico, indicadores por RA.
Limite: sem metas numéricas explícitas, sem voz do cidadão, omite BRB, cultura como apêndice econômico.
Origem: Honorix/Politique, refinado em 27.04.2026.
Núcleo: 6 eixos com programas-âncora, metas 2030, custos, cronograma 100d/4 anos, benchmark MG/GO/SP/PR/RS.
Força: auditável, comparável, com KPIs e fontes.
Limite: falta narrativa identitária, cultura/cidade viva, ODS, longo prazo, "tempo do cidadão".
| Dimensão | Proposta-Eixos (A) | BOOK Ibaneis 2019-2060 (B) | Plano Kiko v2 (C) |
|---|---|---|---|
| Tese central | Brasília foi feita para funcionar; padrão de vida e orgulho | "Garantir dignidade e ser acolhedora" / "Cidade síntese do futuro" | "Não é falta de dinheiro: é falta de gestão" |
| Horizonte temporal | Mandato + projeto de cidade (qualitativo) | 2019-2060 (foco operacional 2023-2026) | 2027-2030 (mandato) |
| Eixos / pilares | 4 atributos: funcionar, respeitar, oferecer oportunidades, gerar orgulho | 8 eixos: Gestão, Saúde, Segurança, Educação, Desenv. Econômico (+Cultura), Social, Territorial, Meio Ambiente | 6 eixos: Segurança, Saúde, Educação, Mobilidade, Empreendedorismo, Gestão & Transparência |
| Metodologia | Narrativa de campanha | Balanced Scorecard, ODS tagging | Gestão por resultados, benchmark interestadual, OKR implícito |
| Indicadores | "Tempo do cidadão", padrão de vida percebido | Muitos indicadores territorializados — sem metas numéricas explícitas | KPIs por eixo, com linha de base e meta 2030 |
| Diagnóstico RA | Implícito (desigualdade territorial) | Detalhado (ex: abandono EM Plano Piloto 2,6% vs Estrutural 35,8%) — sem meta de convergência | Diagnóstico das 35 RAs com priorização (8 RAs prioritárias) |
| Custo / financiamento | — | BNDES, BID, orçamento DF, federal — sem custo total declarado | R$ 8-12 bi/4 anos; ~3-5% do orçamento; PPP-pesada |
| ODS / Agenda 2030 | Não menciona | Tagging em todas as iniciativas (17 ODS mapeados) | Ausente — gap óbvio |
| BRB / patrimônio público | Vetor central (crise como sintoma de modelo) | Silenciado | BRB Auditado (Big Four) — eixo Gestão |
| Cultura, esporte, lazer | Núcleo da Narrativa 2 ("cidade para ser vivida") | Apêndice do eixo Desenv. Econômico | Ausente como eixo |
| Habitação / regularização | — | 43.000 UHs + 32.000 lançamento; 22% domicílios não regularizados | Ausente como eixo |
| Meio ambiente / clima | — | Eixo próprio (saneamento, recursos hídricos, adaptação climática) | Marginal (frota Euro 6 em Mobilidade) |
| Transversais (juventude, gênero, PCD) | — | Parcial (Desenv. Social) | Setoriais isolados, não transversais |
| Voz do cidadão | Centro da tese | Inexistente | Indireta (KPIs, dashboards) |
| Dashboard público | — | Não previsto | Transparência radical + Painel por RA (Segurança) |
Existe um território comum que sustenta o plano sem disputa interna:
Onde o plano v2 fica exposto se for confrontado lado a lado com o BOOK e com a Proposta-Eixos:
O plano v2 começa pela gestão. A Proposta-Eixos mostra que o eleitor de 2026 (segundo Quaest) responde a dignidade, respeito e ascensão social — não a planilhas. Sem a tese "Brasília foi feita para funcionar" como guarda-chuva, o plano v2 entrega o resultado certo com a embalagem errada.
O BOOK trata cultura como apêndice econômico. O plano v2 não a trata. A Proposta-Eixos (Narrativa 2) coloca o tema no centro: "a experiência de viver a cidade". Brasília compete simbolicamente com cidades reconhecidas por qualidade de vida (SP "feliz") — é um vácuo enorme.
O BOOK ancora-se em 2019-2060 com tagging ODS para legitimar-se internacional e tecnicamente. O plano v2 fica restrito a 2027-2030 e ignora a Agenda 2030 — o que permite ao adversário acusar o plano de ser eleitoreiro de curto prazo. Custo de cobrir o gap: baixo. Ganho de credibilidade: alto.
A Proposta-Eixos propõe um indicador-mestre: "tempo do cidadão" (fila, deslocamento, espera). O plano v2 usa KPIs setoriais isolados. Consolidar um Índice de Tempo do Cidadão como dashboard transversal é a forma de tangibilizar a tese e de fazer o BOOK parecer datado.
O plano v2 trata cada um em silos. O BOOK também — mas tem o eixo Desenvolvimento Social e Meio Ambiente como atenuantes. Sem uma camada transversal explícita, o plano v2 fica vulnerável em debates segmentados.
O outro lado da matriz: onde o documento do adversário é frágil e o Kiko pode marcar contraste.
| Lacuna do BOOK | Evidência no documento | Movimento do Kiko |
|---|---|---|
| Silêncio sobre o BRB | Eixo Gestão narra vitória fiscal (Capag C→B, ICE 69º→4º) mas não menciona a crise do BRB nem o bloqueio operacional pelo BACEN | "BRB Auditado" (Big Four) + capítulo sobre proteção do patrimônio público |
| Sem metas numéricas explícitas | Indicadores em abundância, alvos opacos | Cada eixo do Kiko publica linha de base, meta 2030 e mês de marco — auditável |
| Sem metas de convergência entre RAs | Mapeia desigualdade (Plano Piloto 2,6% vs Estrutural 35,8% em abandono EM), mas não publica meta de redução do gap | Compromisso de redução do gap inter-RA como meta-síntese ("Acabou a Brasília de duas velocidades") |
| Linguagem tecnocrática, sem voz cidadã | Iniciativas escritas em terceira pessoa, foco em órgão executor | Plano em primeira pessoa + "Tempo do Cidadão" como KPI + dashboard cidadão público |
| Lista de obras vs. resultado percebido | "Implantação de…", "construção de…", "ampliação de…" sem NPS de serviço | Cada entrega vinculada a satisfação verificável (pesquisa contínua, indicador de experiência) |
| Cultura/esporte/lazer como apêndice econômico | Estão sob o Eixo 5.5 — Desenv. Econômico | Criar eixo próprio "Brasília Viva" — qualificação dos espaços públicos, programação contínua, presença do Estado nos territórios |
| Sem painel público de monitoramento | BOOK é o instrumento de comunicação; não há dashboard cidadão descrito | "Dashboard Cidadão DF" — KPIs por eixo e por RA, atualização mensal, acesso público |
| Cidade-vitrine ausente | Visão "Cidade síntese do futuro" sem articulação simbólica clara | Posicionar Brasília no circuito de cidades de referência (qualidade de vida, felicidade urbana, inovação) |
São as cinco decisões a tomar nesta semana para que o plano final seja simultaneamente auditável (forte como o v2), institucional (compatível com o BOOK) e narrativo (carregado pela tese da Proposta-Eixos).
Decisão: "Brasília foi feita para funcionar" vira o título do plano final. O sub-título carrega a entrega: "Reconstrução da qualidade de vida como compromisso de governo". O capítulo 1 deixa de ser "Diagnóstico" e passa a ser "O Pacto" — quatro promessas: funcionar, respeitar o tempo do cidadão, oferecer oportunidades, gerar orgulho de pertencer.
Por que agora: o eleitor de 2026 vota em dignidade percebida (Quaest), não em planilha. Sem a moldura, o conteúdo técnico do v2 perde alcance.
Custo: 1 reescrita de abertura + alinhamento de capa, slogans e linguagem dos 6 eixos. ≈ 3 dias.
Decisão: espelhar a arquitetura institucional do BOOK (8 eixos) — não para copiá-lo, mas para impedir que sejamos acusados de não cobrir meio ambiente, habitação, desenvolvimento social. Os 6 eixos atuais permanecem; adiciona-se:
Custo: 2 capítulos novos (≈ 6 páginas cada com programas-âncora, metas, KPI, cronograma) + revisão transversal nos 6 existentes. ≈ 10-12 dias.
Decisão: capítulo dedicado dentro do Eixo Gestão. Três peças:
Por que agora: a Proposta-Eixos identifica o BRB como sintoma do modelo. O BOOK silencia. Esse capítulo transforma o silêncio do adversário em ângulo permanente do Kiko.
Custo: 1 capítulo de 2-3 páginas + alinhamento jurídico. ≈ 4 dias.
Decisão: compromisso público de medir e publicar mensalmente:
Entrega operacional: "Dashboard Cidadão DF" — KPIs por eixo e por RA, atualização mensal, acesso aberto. É o oposto exato do BOOK (tecnocrático, fechado).
Custo: definição metodológica + 1 protótipo de dashboard. ≈ 5 dias.
Decisão: capítulo curto "Brasília 2045" — projeto de cidade de longo prazo (ODS mapeados, três grandes apostas: cidade educadora, capital empreendedora, cidade desejada). Cada eixo do plano 2027-2030 traz no rodapé as ODS impactadas (ex: "Saúde Acreditada-DF → ODS 3.8, 10.3").
Por que agora: elimina o flanco "plano eleitoreiro" e dá ao Kiko vocabulário técnico para reuniões com BID, BNDES, embaixadas e setor empresarial. Custo baixo, ganho institucional alto.
Custo: 1 capítulo + revisão de tagging nos 8 eixos. ≈ 4 dias.
Capa · "Brasília foi feita para funcionar"
Cap. 1 · O Pacto · Quatro promessas (funcionar, respeitar o tempo, oferecer oportunidades, gerar orgulho)
Cap. 2 · Diagnóstico do DF · Números, desigualdades, BRB, crise de confiança
Cap. 3 · Brasília 2045 · Visão de longo prazo + tagging ODS
Cap. 4 · Os 8 eixos e a camada transversal
4.1 Segurança Pública · Pacto Pela Vida-DF
4.2 Saúde · Saúde Acreditada-DF
4.3 Educação · Educa Brasília
4.4 Mobilidade · Brasília Conectada
4.5 Empreendedorismo · DF Liberdade Econômica
4.6 Gestão, Transparência & Patrimônio Público · GDF Enxuto & Aberto + capítulo BRB
4.7 Brasília Viva · Cultura, Esporte, Lazer, Espaço Público · novo
4.8 Brasília Sustentável · Meio Ambiente, Habitação, Regularização · novo
+ Transversal · Tempo do Cidadão & Inclusão (juventude, mulheres, PCD, idosos) · novo
Cap. 5 · Execução · Custo, cronograma 100d/4 anos, financiamento (incl. BNDES/BID)
Cap. 6 · Dashboard Cidadão DF · Indicadores por eixo e por RA, atualização mensal
Cap. 7 · Compromissos negativos · O que NÃO faremos
Cap. 8 · Síntese & Referência · Benchmarks estaduais, KPIs, fontes, bibliografia
| Passo | Responsável | Prazo |
|---|---|---|
| Validação dos 5 movimentos com o candidato | Kiko + núcleo de campanha | até 14.05.2026 |
| Reescrita da abertura (capa, Cap. 1 "O Pacto", Cap. 3 "Brasília 2045") | Honorix / redação | 5 dias úteis |
| Novos eixos: Brasília Viva + Brasília Sustentável + Transversal | Honorix / equipe técnica | 10-12 dias úteis |
| Capítulo BRB & Patrimônio Público | Honorix + jurídico | 4 dias úteis |
| Protótipo Dashboard Cidadão DF (mock + metodologia) | Honorix / produto | 5 dias úteis |
| Tagging ODS nos 8 eixos | Honorix / técnica | 2 dias úteis (paralelo) |
| Consolidação Plano v3 + revisão final | Honorix | até 02.06.2026 |