Análise Estratégica · Confidencial

Benchmark Consolidado — Plano de Governo DF 2027-2030 Convergências, lacunas e cinco movimentos antes do fechamento

Cliente Kiko Caputo Data 11.05.2026 Versão v1 Destinatário Candidato

1 · Resumo executivo

Três documentos foram cotejados: (a) a Proposta de Eixo de Narrativa ("Brasília foi feita para funcionar"), (b) o Plano Estratégico do GDF 2019-2060 — Edição Revisada 2023 (o "BOOK", documento oficial da gestão Ibaneis/Celina, comumente confundido com publicação ONU pela ancoragem nos ODS) e (c) o Plano de Governo Kiko v2 já em curso. O cruzamento revela um plano tecnicamente sólido (v2), com flanco simbólico aberto (Proposta-Eixos) e um documento-espelho do adversário (BOOK) que precisa ser usado como matéria-prima — não ignorado.

Tese consolidada para o plano final

Brasília foi feita para funcionar — e tem que voltar a funcionar. O plano v2 já entrega como (gestão por resultados, metas auditáveis, R$ 8-12 bi em quatro anos). A camada que falta é por que e para quem: a tese de qualidade de vida, orgulho de pertencer e tempo do cidadão como padrão real de governo — não como nostalgia.

O que muda a partir deste benchmark

  1. Adicionar uma camada narrativa-mestra acima dos 6 eixos atuais (tese da Proposta-Eixos).
  2. Reorganizar os 6 eixos em 8 + 1 transversal, espelhando o BOOK para compatibilidade institucional, mas com metas verificáveis que o BOOK não publica.
  3. Abrir capítulo BRB e Patrimônio Público — o BOOK silencia, a Proposta-Eixos antecipa o ataque.
  4. Introduzir "Tempo do Cidadão" como KPI transversal e dashboard cidadão público.
  5. Alinhar ODS/Agenda 2030 + horizonte 15-20 anos, sem perder o foco do mandato 2027-2030.

2 · As três fontes em uma página

Doc A · Narrativa

Proposta de Eixo de Narrativa

Origem: rascunho de campanha do Kiko (≈5 pgs).
Núcleo: "Brasília foi feita para funcionar" + reposicionamento como cidade de orgulho e pertencimento.
Força: tese identitária, voz emocional, ângulo BRB como sintoma de modelo.
Limite: não tem programa, custo, KPI nem metas.

Doc B · Adversário

BOOK — Plano Estratégico DF 2019-2060 (Rev. 2023)

Origem: SEPLAD/GDF Ibaneis-Celina, 166 pgs.
Núcleo: 8 eixos × 494 iniciativas × Balanced Scorecard × tagging ODS.
Força: volume, granularidade, vocabulário técnico, indicadores por RA.
Limite: sem metas numéricas explícitas, sem voz do cidadão, omite BRB, cultura como apêndice econômico.

Doc C · Nosso plano

Plano de Governo Kiko v2

Origem: Honorix/Politique, refinado em 27.04.2026.
Núcleo: 6 eixos com programas-âncora, metas 2030, custos, cronograma 100d/4 anos, benchmark MG/GO/SP/PR/RS.
Força: auditável, comparável, com KPIs e fontes.
Limite: falta narrativa identitária, cultura/cidade viva, ODS, longo prazo, "tempo do cidadão".

3 · Matriz comparativa por dimensão

Dimensão Proposta-Eixos (A) BOOK Ibaneis 2019-2060 (B) Plano Kiko v2 (C)
Tese central Brasília foi feita para funcionar; padrão de vida e orgulho "Garantir dignidade e ser acolhedora" / "Cidade síntese do futuro" "Não é falta de dinheiro: é falta de gestão"
Horizonte temporal Mandato + projeto de cidade (qualitativo) 2019-2060 (foco operacional 2023-2026) 2027-2030 (mandato)
Eixos / pilares 4 atributos: funcionar, respeitar, oferecer oportunidades, gerar orgulho 8 eixos: Gestão, Saúde, Segurança, Educação, Desenv. Econômico (+Cultura), Social, Territorial, Meio Ambiente 6 eixos: Segurança, Saúde, Educação, Mobilidade, Empreendedorismo, Gestão & Transparência
Metodologia Narrativa de campanha Balanced Scorecard, ODS tagging Gestão por resultados, benchmark interestadual, OKR implícito
Indicadores "Tempo do cidadão", padrão de vida percebido Muitos indicadores territorializados — sem metas numéricas explícitas KPIs por eixo, com linha de base e meta 2030
Diagnóstico RA Implícito (desigualdade territorial) Detalhado (ex: abandono EM Plano Piloto 2,6% vs Estrutural 35,8%) — sem meta de convergência Diagnóstico das 35 RAs com priorização (8 RAs prioritárias)
Custo / financiamento BNDES, BID, orçamento DF, federal — sem custo total declarado R$ 8-12 bi/4 anos; ~3-5% do orçamento; PPP-pesada
ODS / Agenda 2030 Não menciona Tagging em todas as iniciativas (17 ODS mapeados) Ausente — gap óbvio
BRB / patrimônio público Vetor central (crise como sintoma de modelo) Silenciado BRB Auditado (Big Four) — eixo Gestão
Cultura, esporte, lazer Núcleo da Narrativa 2 ("cidade para ser vivida") Apêndice do eixo Desenv. Econômico Ausente como eixo
Habitação / regularização 43.000 UHs + 32.000 lançamento; 22% domicílios não regularizados Ausente como eixo
Meio ambiente / clima Eixo próprio (saneamento, recursos hídricos, adaptação climática) Marginal (frota Euro 6 em Mobilidade)
Transversais (juventude, gênero, PCD) Parcial (Desenv. Social) Setoriais isolados, não transversais
Voz do cidadão Centro da tese Inexistente Indireta (KPIs, dashboards)
Dashboard público Não previsto Transparência radical + Painel por RA (Segurança)

4 · Onde os três documentos convergem

Existe um território comum que sustenta o plano sem disputa interna:

5 · Divergências críticas — vulnerabilidades do plano v2

Onde o plano v2 fica exposto se for confrontado lado a lado com o BOOK e com a Proposta-Eixos:

5.1 · Falta a camada narrativa-mestra

O plano v2 começa pela gestão. A Proposta-Eixos mostra que o eleitor de 2026 (segundo Quaest) responde a dignidade, respeito e ascensão social — não a planilhas. Sem a tese "Brasília foi feita para funcionar" como guarda-chuva, o plano v2 entrega o resultado certo com a embalagem errada.

5.2 · Cultura, cidade viva e espaço público não são eixos

O BOOK trata cultura como apêndice econômico. O plano v2 não a trata. A Proposta-Eixos (Narrativa 2) coloca o tema no centro: "a experiência de viver a cidade". Brasília compete simbolicamente com cidades reconhecidas por qualidade de vida (SP "feliz") — é um vácuo enorme.

5.3 · ODS e visão de longo prazo ausentes

O BOOK ancora-se em 2019-2060 com tagging ODS para legitimar-se internacional e tecnicamente. O plano v2 fica restrito a 2027-2030 e ignora a Agenda 2030 — o que permite ao adversário acusar o plano de ser eleitoreiro de curto prazo. Custo de cobrir o gap: baixo. Ganho de credibilidade: alto.

5.4 · Tempo do cidadão não é KPI

A Proposta-Eixos propõe um indicador-mestre: "tempo do cidadão" (fila, deslocamento, espera). O plano v2 usa KPIs setoriais isolados. Consolidar um Índice de Tempo do Cidadão como dashboard transversal é a forma de tangibilizar a tese e de fazer o BOOK parecer datado.

5.5 · Transversais fracos (juventude, mulheres, PCD, idosos, sustentabilidade)

O plano v2 trata cada um em silos. O BOOK também — mas tem o eixo Desenvolvimento Social e Meio Ambiente como atenuantes. Sem uma camada transversal explícita, o plano v2 fica vulnerável em debates segmentados.

6 · Lacunas do BOOK Ibaneis — vetores de ataque

O outro lado da matriz: onde o documento do adversário é frágil e o Kiko pode marcar contraste.

Lacuna do BOOK Evidência no documento Movimento do Kiko
Silêncio sobre o BRB Eixo Gestão narra vitória fiscal (Capag C→B, ICE 69º→4º) mas não menciona a crise do BRB nem o bloqueio operacional pelo BACEN "BRB Auditado" (Big Four) + capítulo sobre proteção do patrimônio público
Sem metas numéricas explícitas Indicadores em abundância, alvos opacos Cada eixo do Kiko publica linha de base, meta 2030 e mês de marco — auditável
Sem metas de convergência entre RAs Mapeia desigualdade (Plano Piloto 2,6% vs Estrutural 35,8% em abandono EM), mas não publica meta de redução do gap Compromisso de redução do gap inter-RA como meta-síntese ("Acabou a Brasília de duas velocidades")
Linguagem tecnocrática, sem voz cidadã Iniciativas escritas em terceira pessoa, foco em órgão executor Plano em primeira pessoa + "Tempo do Cidadão" como KPI + dashboard cidadão público
Lista de obras vs. resultado percebido "Implantação de…", "construção de…", "ampliação de…" sem NPS de serviço Cada entrega vinculada a satisfação verificável (pesquisa contínua, indicador de experiência)
Cultura/esporte/lazer como apêndice econômico Estão sob o Eixo 5.5 — Desenv. Econômico Criar eixo próprio "Brasília Viva" — qualificação dos espaços públicos, programação contínua, presença do Estado nos territórios
Sem painel público de monitoramento BOOK é o instrumento de comunicação; não há dashboard cidadão descrito "Dashboard Cidadão DF" — KPIs por eixo e por RA, atualização mensal, acesso público
Cidade-vitrine ausente Visão "Cidade síntese do futuro" sem articulação simbólica clara Posicionar Brasília no circuito de cidades de referência (qualidade de vida, felicidade urbana, inovação)

7 · Cinco movimentos antes de fechar o plano

São as cinco decisões a tomar nesta semana para que o plano final seja simultaneamente auditável (forte como o v2), institucional (compatível com o BOOK) e narrativo (carregado pela tese da Proposta-Eixos).

1 Adotar a tese-mãe e reorganizar a abertura

Decisão: "Brasília foi feita para funcionar" vira o título do plano final. O sub-título carrega a entrega: "Reconstrução da qualidade de vida como compromisso de governo". O capítulo 1 deixa de ser "Diagnóstico" e passa a ser "O Pacto" — quatro promessas: funcionar, respeitar o tempo do cidadão, oferecer oportunidades, gerar orgulho de pertencer.

Por que agora: o eleitor de 2026 vota em dignidade percebida (Quaest), não em planilha. Sem a moldura, o conteúdo técnico do v2 perde alcance.

Custo: 1 reescrita de abertura + alinhamento de capa, slogans e linguagem dos 6 eixos. ≈ 3 dias.

2 Migrar de 6 para 8 eixos + 1 transversal

Decisão: espelhar a arquitetura institucional do BOOK (8 eixos) — não para copiá-lo, mas para impedir que sejamos acusados de não cobrir meio ambiente, habitação, desenvolvimento social. Os 6 eixos atuais permanecem; adiciona-se:

Custo: 2 capítulos novos (≈ 6 páginas cada com programas-âncora, metas, KPI, cronograma) + revisão transversal nos 6 existentes. ≈ 10-12 dias.

3 Abrir capítulo "Patrimônio Público & BRB"

Decisão: capítulo dedicado dentro do Eixo Gestão. Três peças:

Por que agora: a Proposta-Eixos identifica o BRB como sintoma do modelo. O BOOK silencia. Esse capítulo transforma o silêncio do adversário em ângulo permanente do Kiko.

Custo: 1 capítulo de 2-3 páginas + alinhamento jurídico. ≈ 4 dias.

4 Instituir o "Tempo do Cidadão" como KPI transversal + Dashboard Cidadão

Decisão: compromisso público de medir e publicar mensalmente:

Entrega operacional: "Dashboard Cidadão DF" — KPIs por eixo e por RA, atualização mensal, acesso aberto. É o oposto exato do BOOK (tecnocrático, fechado).

Custo: definição metodológica + 1 protótipo de dashboard. ≈ 5 dias.

5 Alinhar ODS e horizonte 15-20 anos sem perder o mandato

Decisão: capítulo curto "Brasília 2045" — projeto de cidade de longo prazo (ODS mapeados, três grandes apostas: cidade educadora, capital empreendedora, cidade desejada). Cada eixo do plano 2027-2030 traz no rodapé as ODS impactadas (ex: "Saúde Acreditada-DF → ODS 3.8, 10.3").

Por que agora: elimina o flanco "plano eleitoreiro" e dá ao Kiko vocabulário técnico para reuniões com BID, BNDES, embaixadas e setor empresarial. Custo baixo, ganho institucional alto.

Custo: 1 capítulo + revisão de tagging nos 8 eixos. ≈ 4 dias.

8 · Estrutura proposta — Plano v3

Capa · "Brasília foi feita para funcionar"

Cap. 1 · O Pacto · Quatro promessas (funcionar, respeitar o tempo, oferecer oportunidades, gerar orgulho)

Cap. 2 · Diagnóstico do DF · Números, desigualdades, BRB, crise de confiança

Cap. 3 · Brasília 2045 · Visão de longo prazo + tagging ODS

Cap. 4 · Os 8 eixos e a camada transversal

4.1 Segurança Pública · Pacto Pela Vida-DF

4.2 Saúde · Saúde Acreditada-DF

4.3 Educação · Educa Brasília

4.4 Mobilidade · Brasília Conectada

4.5 Empreendedorismo · DF Liberdade Econômica

4.6 Gestão, Transparência & Patrimônio Público · GDF Enxuto & Aberto + capítulo BRB

4.7 Brasília Viva · Cultura, Esporte, Lazer, Espaço Público · novo

4.8 Brasília Sustentável · Meio Ambiente, Habitação, Regularização · novo

+ Transversal · Tempo do Cidadão & Inclusão (juventude, mulheres, PCD, idosos) · novo

Cap. 5 · Execução · Custo, cronograma 100d/4 anos, financiamento (incl. BNDES/BID)

Cap. 6 · Dashboard Cidadão DF · Indicadores por eixo e por RA, atualização mensal

Cap. 7 · Compromissos negativos · O que NÃO faremos

Cap. 8 · Síntese & Referência · Benchmarks estaduais, KPIs, fontes, bibliografia

9 · Frases-mestre para o discurso consolidado

Brasília foi feita para funcionar. Não para você perder tempo na fila, no trânsito e na espera de uma resposta que não vem. Não era pra ser assim — e não vai mais ser. Slogan-mestre proposto · derivado da Proposta-Eixos + plano v2
Quem mora em Ceilândia merece o mesmo tempo de atendimento de quem mora no Plano Piloto. O nome disso é dignidade — e é o padrão que vamos entregar. Tempo do Cidadão como tradução do "duas velocidades" do plano v2
Brasília tem o orçamento de um país europeu e a gestão de um país pobre. Tem um banco público sob bloqueio do Banco Central. E tem 494 projetos no papel sem uma única meta numérica publicada. Vamos mudar as três coisas. Síntese das três fontes — gestão, BRB, metas auditáveis

10 · Próximos passos

Passo Responsável Prazo
Validação dos 5 movimentos com o candidato Kiko + núcleo de campanha até 14.05.2026
Reescrita da abertura (capa, Cap. 1 "O Pacto", Cap. 3 "Brasília 2045") Honorix / redação 5 dias úteis
Novos eixos: Brasília Viva + Brasília Sustentável + Transversal Honorix / equipe técnica 10-12 dias úteis
Capítulo BRB & Patrimônio Público Honorix + jurídico 4 dias úteis
Protótipo Dashboard Cidadão DF (mock + metodologia) Honorix / produto 5 dias úteis
Tagging ODS nos 8 eixos Honorix / técnica 2 dias úteis (paralelo)
Consolidação Plano v3 + revisão final Honorix até 02.06.2026